domingo, 25 de outubro de 2015

“EU VIM LANÇAR FOGO SOBRE A TERRA”...


Evangelho Lc 12,49-53

 
Quando fazemos opção por Jesus, já sabemos dos desafios que encontraremos pela frente, Jesus nunca iludiu os seus seguidores prometendo facilidades! Todo aquele que adere as propostas de Jesus, é criticado, é rejeitado, a cruz é inevitável no seu caminho como foi inevitável no caminho do próprio Jesus!

O evangelho de hoje, nos desperta sobre a importância de colocarmos Jesus como centralidade da nossa vida! Jesus é o único caminho que nos leva a felicidade plena, Ele é o caminho que nos conduz ao Pai, longe Dele, não há  vida!

“Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão.” Como Jesus mesmo diz, Ele não veio trazer a paz, Jesus veio nos  “incomodar”, ou seja, veio nos desinstalar, nos tirar do comodismo, nos inquietar.

“...Daqui por diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos : o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.” Estas palavras de Jesus, à princípio pode nos parecer de difícil compreensão, mas se refletirmos um pouco mais, vamos entendê-las claramente: Ora, se a espada é aquilo que divide, e

Jesus veio trazer a espada, Ele realmente veio dividir, dividir, porque nem todos vão aceitá-Lo. A separação na família, a que Jesus se refere, é a consequência de aceitar ou não aceitar as suas propostas! Dentro de uma mesma família, uns vão aceitar as propostas de Jesus, outros não, é  desta separação que Jesus fala;

Todos são convidados, mas nem todos aceitam o seu chamado, portanto, nem todos serão salvos. A salvação é individual e não coletiva, não é pelo fato de pertencermos a uma mesma Igreja, a um mesmo grupo, a uma mesma família, que seremos salvos, e sim, pela nossa obediência a Deus no seguimento à Jesus! Todos os que aderirem as propostas de Jesus, serão salvos porque viverão segundo a vontade de Deus, já os que optarem pelas propostas do mundo, ficarão de fora, ou seja, numa mesma família, uns serão salvos outros não.

O testemunho de quem vive em Jesus, incomoda quem não quer mudar de vida, é daí que vão surgindo as divisões, principalmente na família.

Jesus não trouxe a Paz, pelo contrário, Ele provocou conflitos, incomodou os inimigos da Paz, foi com a sua ressurreição, que Ele abriu o caminho da verdadeira paz, uma paz contrária a paz que o mundo oferece através de armas que tiram vidas!

A paz, que é  fruto da ressurreição de Jesus, foi conquistada com a arma mais poderosa que existe, a arma que gera vida: o amor! Esta paz, todos nós podemos ter, mesmo em meio aos conflitos do mundo, de um mundo que continua rejeitando o dono da paz, que é Jesus!

 

Fonte:  Olívia Coutinho

terça-feira, 6 de outubro de 2015

“PORÉM UMA SÓ COISA É NECESSÁRIA”.



Dia 06 de Outubro de 2015

Evangelho de Lc10,38-42

Estamos no mês de outubro, mês em que a Igreja nos convida a refletirmos sobre a importância de sermos  missionários!
Ser missionário é colocar-se à disposição de Deus como  instrumento a ser usado por Ele, como e onde Ele quiser, é além das palavras, dar  testemunho de Jesus com a própria vida!
 A nossa correria do dia a  dia, nos  rouba  de Deus e de nós mesmos,  a nossa  preocupação em fazer, fazer e  fazer, nos impede de “ser”, de  ser amigo, de ser pai, mãe, esposo, esposa, filhos... E assim, vamos deixando as coisas importantes de  lado!
O evangelho de hoje, chama a nossa atenção sobre a importância de dedicarmos tempo para escuta da palavra de Deus! É a partir desta escuta, que  nos tornarmos missionários!
O texto nos coloca em Betânia, exatamente na casa de duas amigas de Jesus: Marta e Maria, duas irmãs, que o recebe com alegria em sua casa! As duas,  acolhem  bem Jesus, cada  uma a seu modo, uma pela escuta atenta da sua palavra e a outra pelo serviço.
A narrativa nos diz, que Maria sentou-se para ouvir Jesus, o que caracteriza  a postura  do discípulo que  quer aprender com o  Mestre! Maria, naquele momento tão especial, não quis se ocupar  com outros afazeres, o que indica que ela colocava as coisas de  Deus como prioridade em sua vida! Nela, temos o exemplo de como deve ser a nossa postura diante de Jesus. Postura, que  Marta não  teve,  devido a sua  preocupação exagerada com os  afazeres,  chegando ao ponto de se queixar com Jesus sobre  a postura  da irmã! Certamente, Marta também desejava ouvir Jesus, mas a sua preocupação com as tarefas domesticas era tão grande, que a privou  de desfrutar das maravilhas  daquele momento especial que  tivera  com a visita de Jesus! Talvez, a sua falha, não tenha sido na sua  dedicação  ao trabalho, e sim, em querer  desempenhá-lo, sem antes dedicar um tempo para ouvir Jesus!
Quando Marta reclama com Jesus, sobre a postura de Maria, Ele, com uma suave repreensão, acalma  Marta dizendo: : “Marta, Marta tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”! Estas palavras  de Jesus, quer dizer, que naquele momento, o mais importante era deixar tudo para ouvir o que Ele tinha a dizer, o serviço, poderia ficar  para depois! A intenção de Marta era de servir bem a Jesus, mas ele mesmo diz: ”Eu não vim para ser servido, mas para servir.” Mc 10,45
Assim como Marta, nós  também,  por estamos muito ocupados com tantos afazeres, às vezes deixamos   de ouvir Jesus! 
Deixemo-nos, pois, de nos preocupar com tantas coisas, para buscarmos  em primeiro lugar o Reino de Deus e com certeza, tudo mais nos será acrescentado!
 Hoje, Jesus continua a nos dizer: Só uma coisa é necessária... Para muitos, pode ser difícil definir o que é necessário! Para mim, o necessário é ouvir Jesus, é  saber o que Ele quer de nós e para nós!
O nosso relacionamento  com Jesus através da escuta, é imprescindível, a eficácia de todos os nossos feitos, está em nos deixar orientar por Ele! 
O amor, a busca pela santidade, deve ser o nosso objetivo primeiro, o horizonte que não podemos perder  de vista em meio as nossas ocupações diárias.

Fonte: Olívia Coutinho


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Evangelho de Lc9,57-62

“O FILHO DO HOMEM NÃO TEM ONDE REPOUSAR A CABEÇA.”



A cada dia, Deus coloca em nossas mãos uma pagina em branco, na qual deveremos escrever mais um capítulo da nossa história, uma história, que só terá sentido se colocarmos Jesus como centralidade da nossa vida!
Tudo que Deus mais quer é estar conosco, mas  Ele não controla os nossos passos, nos dá total liberdade para fazemos as nossas escolhas! Cada dia, é uma oportunidade que Ele nos oferece, para escolher o que queremos para a nossa vida: a luz ou as trevas? A vida ou a morte?
A nossa vida, não nos foi dada para ser vivida com reservas, ou como se fosse um peso, Deus quer que todos nós vivamos a vida na sua totalidade, foi para isto que Ele enviou o seu Filho, para nos ensinar o caminho da alegria, o caminho  da felicidade plena! É caminhando e sendo caminho para o outro, que daremos a Deus a resposta de amor!
A todo instante, somos chamados a gastar a vida no seguimento à Jesus, a nos embrenhar com Ele pelas estradas da vida, ao encontro dos sofredores, dos nossos irmãos esquecidos às margens do caminho!
O evangelho de hoje, nos deixa uma mensagem muito clara: para seguir Jesus é preciso estar livre, desprendido, disposto a enfrentar desafios! O seguimento à Jesus, implica em mudança radical no nosso modo de viver, exige de nós, muito mais do que boa vontade e entusiasmo, exige compromisso, renuncia, desprendimento...
Em momento algum, Jesus iludiu os primeiros discípulos e nem a nós que somos os discípulos de hoje com facilidades! Ele sempre deixou claro que a caminhada do discípulo missionário, é desafiadora,  mas gratificante, pois tem como recompensa: a vida eterna como herança! Vida eterna, que já podemos começar a usufrui-la  já aqui na terra, pois quem vive em Jesus e Jesus vive nele, vive a plenitude!
Seguir Jesus, é buscar algo novo dentro de nós, é avançar para águas mais profundas no desejo de atrair pessoas para o convívio com o Pai! É atravessar o lago e buscar a outra margem, onde tantos irmãos necessitam do nosso auxílio!
Jesus é o caminho, a verdade e a vida, a nossa opção por Ele, tem que ser radical, do contrário, ficamos na superficialidade da fé, não adentramos no mistério do amor do Pai!
Muitos de nós, adiamos o nosso “sim” a Jesus, nos escondendo atrás das mais variadas desculpas: vou aceitar o chamado de Jesus, depois que eu  terminar os meus estudos, depois que os meus filhos crescerem, quando eu me aposentar..." E assim, vamos perdendo a oportunidade de viver uma intimidade profunda com Jesus no serviço prestado ao Reino, esquecendo de que o nosso tempo de vida terrena é curto.

Seguir Jesus, é viver no amor, é ser presença do amor de Deus no meio em que vivemos!


Fonte: Olivia Coutinho.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A morte de João Batista-Dehonianos


Tempo Comum - Anos Ímpares - XVIII Semana - Segunda-feira

Lectio

Primeira leitura: Números 11, 4b-15

Naqueles dias, disseram os filhos de Israel: «Quem nos dará carne para comer? Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egito, dos pepinos, dos melões, dos alhos porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná.» O maná era como a semente do coentro e o seu aspecto como o bdélio. 8 povo espalhava-se a apanhá-lo e moía-o em moinhos ou pisava-o em almofarizes; cozia-o em panelas e fazia bolos; tinha o sabor de tortas com gordura de azeite. Quando o orvalho caía de noite sobre o acampamento, o maná também caía. Moisés ouviu o povo chorar agrupado por famílias, cada uma à entrada da sua tenda. Mas a ira do Senhor inflamou-se muito e Moisés sentiu o mal perto de si. Então Moisés falou ao Senhor: «Porque atormentas o teu servo? Porque é que não encontrei graça diante de ti, a ponto de pores todo este povo como um peso sobre mim? Acaso fui eu que concebi todo este povo? Fui eu que o dei à luz, para me dizeres: ‘Leva-o ao colo, como a ama leva a criança de peito, até à terra que prometeste a seus pais?’ Onde arranjarei carne para dar a todo este povo que chora junto de mim, dizendo: ‘Dá-nos carne para comer!’ Eu sozinho não consigo suportar todo este povo, porque é demasiado pesado para mim! Se me queres tratar assim, dá-me antes a morte; se encontrei graça diante de ti, que eu não veja mais a minha desgraça!».
A caminhada de Israel pelo deserto, narrada nos livros do Êxodo e dos Números, justapõe episódios relativos à carência de comida e bebida, a perigos próprios de uma região inóspita, a reacções de rebeldia e de murmuração, a intervenções de Deus diante das carências e das rebeliões. O povo, mais do que olhar para a salvação alcançada, para o dom gratuito de Deus, olha para trás com saudades do Egipto e dos bens de que lá dispunha, esquecendo os sofrimentos. Parecia-lhe melhor continuar escravo no Egito que livre no deserto, a comer o maná, que não enchia os estômagos. Israel é um povo descontente, incapaz de reconhecer os dons de Deus: a liberdade e o pão descido do céu.
Moisés, visceralmente ligado ao destino desse povo, entra em crise e barafusta com Deus. É a sorte do mediador, que deve identificar-se com o destino do povo, permanecendo fiel a Deus. A lamentação de Moisés, significativa no seu realismo, antecipa as lamentações dos salmos e dos Profetas. Moisés, amigo de Deus, pode barafustar com Ele, que é o verdadeiro Senhor do povo. A sua audácia leva-o a pôr em causa a fidelidade paterna e materna de Deus e a suplicá-la com arrojo.

Evangelho: Mateus 14, 13-21
Naquele tempo, quando Jesus ouviu dizer que João Baptista tinha sido morto, retirou-se dali sozinho num barco, para um lugar deserto; mas o povo, quando soube, seguiu-o a pé, desde as cidades. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e, cheio de misericórdia para com ela, curou os seus enfermos. Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram-lhe: «Este sítio é deserto e a hora já vai avançada. Manda embora a multidão, para que possa ir às aldeias comprar alimento.» Mas Jesus disse-lhes: «Não é preciso que eles vão; dai-lhes vós mesmos de comer.» Responderam: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.» 1«Trazei-mos cá» - disse Ele. E, depois de ordenar à multidão que se sentasse na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção; partiu, depois, os pães e deu-os aos discípulos, e estes distribuíram-nos pela multidão. 20Todos comeram e ficaram saciados; e, com o que sobejou, encheram doze cestos. 21Ora, os que comeram eram uns cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
A notícia da morte de João Baptista leva Jesus a afastar-se da multidão, para escapar à presumível tentativa de O matarem, também a Ele, já alvo de conjura por parte dos fariseus. Mas, fiel à missão que o Pai Lhe confiou, responde com amor à multidão, que Lhe pede gestos de salvação (vv. 13-14): cura os doentes, que Lhe são apresentados, e sacia a fome dos que O seguem. Mas exige a participação dos discípulos, que são chamados a dar-se a si mesmos, e a pôr em comum o que têm (vv. 16s.).
A narrativa deste milagre antecipa, na intenção do evangelista, o da instituição da Eucaristia (cf. Mt 26, 26). Os discípulos serão ministros, distribuindo aos outros o pão que Jesus lhes dá (v. 19). Do mesmo modo que sobrou pão, quando Eliseu, com vinte pães saciou cem pessoas (cf. 2 Rs 4, 42-44), assim também, e de modo ainda mais significativo, sobraram doze cestos, depois da refeição miraculosa oferecida por Jesus (v. 20). Tinham chegado os dias messiânicos. Jesus, o Messias, satisfazia todas as necessidades humanas, fazendo curas e saciando os que tinham fome. Na comunidade escatológica, fundada por Jesus, desaparecem toda a doença e toda a necessidade.

Meditatio
Entrevemos nas leituras de hoje uma unidade temática. No deserto, os Israelitas protestam e lamentam-se. A dura opressão, sofrida no Egipto, foi transformada na recordação de uma existência quase paradisíaca: «Lembramo-nos do peixe que comíamos de graça no Egipto, dos pepinos, dos melões, dos alhos-porros, das cebolas e dos alhos. Agora, a nossa garganta está seca; não há nada diante de nós senão maná» (vv. 5-6). Não estão satisfeitos com a porção de maná que, cada dia, Deus lhes envia. As lamentações do povo são «um peso» (v. 11) para Moisés, que, por sua vez, se lamenta com Deus: «Porque atormentas o teu servo» (v. 11). O grande chefe sente-se de tal modo abatido que chega a pedir a morte: «Se me queres tratar assim, dá-me antes a morte» (v. 15).
É fácil ceder à saudade do passado, quando nos deixamos guiar, não pelo espírito de fidelidade à aliança com Deus, mas pelos nossos instintos fortes, como podem ser a fome e a sede. Os Padres da Igreja sempre viram na caminhada de Israel através do deserto um paradigma do itinerário do cristão e da Igreja. O futuro assusta. O alimento ligeiro do espírito não é suficiente, as saudades do passado atraiçoam, e as exigências de Deus nem sempre são bem compreendidas. Cada cristão passa pelas suas provações. Mas ai de quem se fixa no passado! Há que acolher, agradecidos, o alimento quotidiano, ainda que seja leve como a Palavra de Deus, e o pão e vinho eucarísticos.
O evangelho apresenta-nos Jesus, qual novo Moisés no deserto, no meio de uma multidão cansada, faminta, doente. Esta multidão sente dificuldades em seguir o Messias. Mas é dele que espera tudo, incluindo a libertação política. Jesus corresponde aos seus anseios de modo eficaz e milagroso. Mas os sinais realizados, tal como a sua pessoa, devem ser acolhidos na fé. De facto, Jesus vive em comunhão com o Pai, mas também com os discípulos, com quem partilha tudo. O maná quotidiano, da Palavra e da Eucaristia, é alimento para o caminho, o viático para a jornada.
Lemos nas nossas Constituições: «Cristo rezou pelo advento do Reino, que já está em acção com a sua presença no meio de nós. Pela sua morte e ressurreição, abriu-nos ao dom do Espírito e à liberdade dos Filhos de Deus (cf. Rm 8,21). Ele é para nós o Primeiro e o Último, Aquele que vive (cf. Ap 1,17-18)». Para podermos chegar à pátria definitiva, Jesus não hesitou em dar tudo por nós. Ficou mesmo connosco, para ser nosso alimento e nossa bebida. Actua continuamente para que se realize plenamente o nosso êxodo do homem velho (cf. Rm 6, 6; Ef 4, 22; Cl 3, 9) para o homem novo (cf. Ef 4, 24; Cl 3, 10), a fim de nos tornarmos «um reino de sacerdotes»: «Fez deles para Deus um reino de sacerdotes que reinará sobre a terra» (Ap 5, 10); «Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido, a fim de anunciardes as virtudes d´Aquele que vos chamou das trevas para a Sua luz admirável» (1 Pe 2, 8).
Deixemo-nos guiar por Jesus, novo Moisés, e acolhamos agradecidos os alimentos da Palavra e da Eucaristia que nos dá.

Oratio
Senhor Jesus, como me sinto semelhante ao teu povo, outrora peregrino no deserto. Todos os dias, me mandas o maná salvador da Palavra e da Eucaristia. Mas também, todos os dias, me deixo levar por saudades de outros alimentos e bebidas. A leveza do pão do céu, muitas vezes, não me satisfaz. Já experimentei a liberdade e a libertação com o êxodo do pecado. Mas, com frequência, olho para trás, sonho com o passado, e esqueço os teus dons. A minha vida assemelha-se, por vezes, ao deserto árido, e o meu caminho torna-se pesado e cheio de miragens enganadoras. Perdoa-me, Senhor! Tem paciência comigo. Renova as tuas maravilhas, para que não me esqueça de Ti e da tua Aliança. Sacia-me cada dia com o pão do céu, para que avance no deserto rumo à pátria que me preparaste. Amém.

Contemplatio
A Santíssima Eucaristia é o pão da vida, o pão dado pela salvação do mundo; e a vida, é Deus mesmo; mas este pão maravilhoso tem todos os gostos e todas as delícias, como o maná; sabe adaptar-se a todas as necessidades da nossa alma, e transforma-nos n’Ele em vez de ser transformado em nós; adapta-se a todas as nossas inclinações, tem a doçura do leite e a força do pão; numa palavra, o Sagrado Coração de Jesus é absolutamente ao mesmo tempo para nós um alimento que nos faz crescer e uma bebida generosa que nos enche de alegria. (Leão Dehon, A Eucaristia, OSP 2, p. 421).

Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra

«Todos comeram e ficaram saciados» (Mt 14, 20).

quinta-feira, 28 de maio de 2015


O “O QUE QUERES QUE EU FAÇA POR TI?”

Evangelho  de Mc10,46-52

Às vezes preferimos ser  "cegos" diante as inúmeras injustiças que desfilam  diariamente diante dos nossos olhos, para não termos que tomar alguma atitude, preferindo acreditar que as injustiças contra os nossos irmãos, não são  problemas nossos.

Porém Jesus, na sua infinita bondade, vem nos mostrar o contrário, afirmando com o seu testemunho, que não só  podemos, como  devemos fazer  algo em defesa do nosso irmão.

A presença de Jesus, acalenta e inspira confiança, os seus ouvidos capitam o grito dos excluídos. 
Jesus veio nos libertar da pior de todas as  cegueiras: a cegueira de não querer enxergar!

Como seguidores de Jesus, precisamos conscientizar, de que somos corresponsáveis pela vida do outro!

O maior testemunho cristão, é o amor ao próximo, é nesse amor que se  resume a lei e o sentido do grande mandamento, que nos faz entender, que é amando o próximo que amamos a Deus!

Por onde Jesus passava, Ele atraia multidões, as pessoas gostavam de ouvi-Lo, de buscar  Nele a cura dos  seus males, mas nem todos recebiam a  cura, muitos ainda não tinham uma fé suficientemente madura que tocasse Jesus: “Vai, a tua fé te curou”.

O evangelho de hoje, nos presenteia com o belo relato de uma cura realizada por Jesus, revelando definitivamente a presença do Reino de Deus  entre os homens.

Caminhando rumo a Jerusalém,  juntamente com os seus discípulos e uma grande multidão,  Jesus, passando pela cidade de Jericó, sente ecoar nos seus ouvidos, um pedido de socorro, um grito que  partia de  um cego chamado Bartimeu cuja a cegueira era apenas a privação de um dos seus sentidos, ou seja, uma cegueira física e não espiritual.

Sentado à beira do caminho, aquele cego percebe o que muitos de nós, ainda hoje não percebe; a passagem de Jesus pela nossa vida!

A  fé do cego de Jericó, ainda que imperfeita, era mais luminosa  do que a vista dos que enxergavam.
Bartimeu, reconhece em Jesus a presença transformadora do poder de Deus, um poder que liberta os excluídos, estes, que são  abandonados por uma sociedade que tenta abafar o sua voz.

O grito do cego  incomodou aqueles que  queriam cercar Jesus só para si, que não queriam que Ele  interrompesse aquela caminhada.  Mas  quanto mais tentavam calar a  voz do cego, mais alto ele gritava!  E aquele grito de fé, tocou Jesus: “Filho de Davi tende piedade de mim”!

Tomado de compaixão, Jesus diz: “Chamai-o”! Os mesmos que tentaram calar a voz do cego, agora o encorajam: “Coragem, levante-te, porque Jesus está chamando você". Movido pela fé, Bartimeu larga tudo, isto é, o único bem que ele possuía isto é, um manto, e vai ao encontro de  Jesus.  Dirigindo-lhe  a palavra, Jesus pergunta: “O que você quer que eu faça?”  - “ Mestre, que eu veja”!

A resposta de Jesus, como sempre, uma resposta de amor, transforma a vida daquele homem: "Vai a tua fé te curou." No mesmo instante  aquele que era cego, passou a enxergar! Sua cura foi fruto da sua fé,  curado, ele faz do caminho de Jesus, o seu caminho, tornando um dos seus fieis  seguidores, um verdadeiro  modelo para todos nós que queremos “seguir Jesus rumo a uma nova Jerusalém.

A princípio, pode nos parecer estranho Jesus ter lhe perguntado: ”Que queres que eu faça por você”?   Certamente, Jesus sabia o que o cego queria, mas Ele desejava ouvir isso dos seus próprios lábios. Com isto, Jesus  nos ensina que  a oração é um exercício de fé, que aprimora também o nosso relacionamento com Deus, um pedido: é uma oração!

Para Jesus, era importante curar o cego por inteiro,  colocá-lo de pé, inseri-lo na sociedade.
Ao ser curado, Bartimeu  sente ampliar também  a sua visão espiritual, ele não fora embora para viver a vida à sua maneira, passou a seguir Jesus, não ficou  mais sentado à beira do caminho e sim,  à caminho...

Fonte: Olivia Coutinho


domingo, 1 de fevereiro de 2015

"UM ENSINAMENTO NOVO DADO COM AUTORIDADE..."

Evangelho de Mc 1, 21-28


             Deus nos deu a vida e todas as condições para sermos felizes, porém, Ele respeita a nossa liberdade, nos deixa livres para fazermos as nossas escolhas!  Somos nós que escolhemos a direção que daremos a nossa vida! Não podemos esquecer nunca de que a vida  é a maior expressão do amor de Deus e que  não conduzi-la para o bem, é a maior ingratidão ao nosso criador! 
          Viver é a mais bela oportunidade que Deus nos oferece para buscarmos através de Jesus o nosso encontro definitivo com Ele!
       O evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, vem nos mostrar  um Deus comprometido com a vida, com a vida em toda a  sua dimensão, um Deus libertador que fala com autoridade, que se revelou plenamente na pessoa de Jesus!
            O texto nos diz, que Jesus, num dia de sábado, entra numa sinagoga em Cafarnaum, junto com os seus discípulos e começa a ensinar.
O povo percebe de imediato o jeito diferente de Jesus ensinar e fica maravilhado com tudo o que Ele diz! Ao contrário dos mestres da lei, Jesus falava com autoridade isto é: falava com conhecimento, o que ouvia do Pai! As  suas palavras, ao mesmo tempo que ensinava,  libertava, por isto, os seus ensinamentos eram vistos pelo povo, como um ensinamento novo, diferente dos mestres da Lei, que além de não viver o que falavam, colocavam pesados fardos sobre  os ombros do povo. O que infelizmente ainda hoje, acontece no nosso meio; grupos que se dizem   “religiosos”, mas que se mantem de teorias, sem uma caminhada comprometida  com a vida.
            A narrativa nos diz ainda, que na sinagoga, havia um homem possuído por um espírito mal, cuja simples presença de Jesus o atormentava.
             Diante da presença de Jesus, ele gritou: “Que queres de nós Jesus Nazareno? Viestes para nos destruir? Eu sei que tu és o santo de Deus!” Jesus percebe o estrago que o mal havia feito naquele homem, que já não tinha capacidade de reconhecer a necessidade de libertação. Na sua vulnerabilidade, ele vê Jesus, ( o bem) como uma ameaça. Tal era a sua pertença ao maligno, que ele, ao se dirigir a Jesus: diz: “nós”.  E Jesus, fonte de libertação se compadece daquele homem, e  fazendo  uso da sua autoridade intima o inimigo: "Cale-Te e sai dele!".
           A partir daquele momento, aquele homem, sente completamente liberto  da  escravidão  que o impedia de ser ele mesmo!
Jesus, nesta sua ação libertadora, desmascara a mentalidade dos dirigentes religiosos,  pois o  seu olhar vai além dos limites impostos por eles, afinal, Jesus enxergou o homem, e não o mal que estava nele, o mal, Jesus retirou com a sua autoridade,  e o homem, Ele trouxe  de volta à vida!
       Aquele homem possuído pelo espírito mau,  representa todas  as  pessoas  que estão sendo escravizadas pelas forças contrárias ao evangelho, que estão sendo  impedidas de falar e de agir como sujeitos da sua própria história, àqueles, cuja vida está  sobre o total controle de quem os oprime. As palavras do Santo evangelho, nos convida a conhecermos  a verdade que liberta e a viver esta verdade!  Só assim, podemos também  falar com autoridade e nos tornar caminho de libertação para o outro!
         Não  podemos negar a existência e a força do mal,  o mal existe e está sempre a nos rondar,  mas ele só ganhará  força em nós,  se nos  distanciarmos de Deus.
       O mal e o bem, confrontam-se  dentro de nós, somos nós que  escolhemos qual dos dois queremos cultivar. Se o mal está ganhando força em nós, é sinal de que  não estamos alimentando o bem plantado por Deus em nossos corações!
         O mal, não sobrepõe o bem, por isto é importante estarmos sempre embebidos no amor do Pai, na força do Filho e sob a luz do Espírito.

       Saber que Jesus é  Filho de Deus, todos sabem, até o inimigo, o que faz a diferença mesmo, é saber quem é o Filho de Deus! Conhecer Jesus, saber quais são as suas propostas, é  o primeiro passo de quem quer  fazer a melhor escolha para sua vida!


Fonte: Olivia Coutinho