sábado, 12 de outubro de 2013

TIRO PELA CULATRA



Entrevista ou, melhor dizendo, tentativa de fazer o cardeal Bergoglio entrar numa “saia justa”.


Começa a circular a transcrição de uma entrevista feita com o atual Papa quando ele era o então cardeal Bergoglio, na Argentina.

Na realidade foi uma emboscada realizada pelo jornalista Chris Mathews da MSNBC, mas Bergolio encurralou Mathews de tal forma que a entrevista nunca foi ao ar, porque, ao perceber que seu plano havia falhado, Mathews arquivou o vídeo.

Porém, um estudante de Notre Dame, que prestava serviços sociais na MSNBC, apoderou-se dele e o deu para seu professor.

O destaque da entrevista é a discussão sobre a pobreza.

A entrevista começou quando o jornalista, tentando embaraçar o Cardeal, perguntou-lhe o que ele pensava sobre a pobreza no mundo.

O cardeal respondeu:
- Primeiro na Europa e agora nas Américas, alguns políticos têm se dedicado a endividar as pessoas, fazendo com que fiquem dependentes.
- E para quê? Para aumentar o seu poder. Eles são grandes especialistas em criação de pobreza e isso ninguém questiona. Eu me esforço para lutar contra esta pobreza.
- A pobreza tornou-se algo natural e isso é ruim. Minha tarefa é evitar o agravamento de tal condição. As ideologias que produzem a pobreza devem ser denunciadas. A educação é a grande solução para o problema.

- Devemos ensinar as pessoas como salvar sua alma, mas ensinar-lhes também a evitar a pobreza e a não permitir que o governo os conduza a esse estado lastimável
Mathews ofendido pergunta:
- O senhor culpa o governo?

- Eu culpo os políticos que buscam seus próprios interesses. Você e seus amigos são socialistas. Vocês (socialistas) e suas políticas, são a causa de 70 anos de miséria, e são culpados de levar muitos países à beira do colapso. Vocês acreditam na redistribuição, que é uma das razões para a pobreza. Vocês querem nacionalizar o universo para poder controlar todas as atividades humanas. Vocês destroem o incentivo do homem, até mesmo para cuidar de sua família, o que é um crime contra a natureza e contra Deus. Esta vossa ideologia cria mais pobres do que todas as empresas que vocês classificam de diabólicas”.

Replica Mathews:
- Eu nunca tinha ouvido nada parecido de um cardeal.
- As pessoas dominadas pelos socialistas precisam saber não têm que ser pobres.
Ataca Mathews:
- E a América Latina? O senhor quer negar o progresso conseguido?

- O império da dependência foi criado na Venezuela por Hugo Chávez, com falsas promessas e mentindo para que se ajoelhem diante de seu governo. Dando peixe ao povo, sem lhes permitir pescar. Se na América Latina alguém aprende a pescar é punido e seus peixes são confiscados pelos socialistas. A liberdade é castigada.
- Você fala de progresso e eu falo de pobreza. Temo pela América Latina. Toda a região está controlada por um bloco de regimes socialistas, como Cuba, Argentina, Equador, Bolívia, Venezuela, Nicarágua. Quem vai salvá-los (a América Latina) dessa tirania?

Acusa Mathews:
- O senhor é um capitalista.
- Se pensarmos que o capital é necessário para construir fábricas, escolas, hospitais, igrejas, talvez eu seja capitalista. Você se opõe a este raciocínio?
- Claro que não, mas o senhor não acha que o capital é retirado do povo pelas corporações abusivas?
- Não, eu acho que as pessoas, através de suas escolhas econômicas, devem decidir que parte do seu capital vai para esses projetos. O uso do capital deve ser voluntário. Só quando os políticos se apropriam (confiscam) esse capital para construir obras públicas e para alimentar a burocracia é que surge um problema grave. O capital investido voluntariamente é legítimo, mas o que é investido com base na coerção é ilegítimo.

- Suas idéias são radicais, diz o jornalista.
- Não. Há anos Khrushchev advertiu: "Não devemos esperar que os americanos abracem o comunismo, mas podemos ajudar os seus líderes com injeções de socialismo, até que, ao acordar, eles percebam que abraçaram o comunismo".

Isto está acontecendo agora mesmo no antigo bastião da liberdade. Como os EUA poderão salvar a América Latina, se eles próprios se tornarem escravos de seu governo?

Mathews diz:
- Eu não consigo digerir (aceitar) tal pensamento.
O cardeal respondeu:
- Você está muito irritado porque a verdade pode ser dolorosa. Vocês (os socialistas) criaram o estado de bem-estar que consiste apenas em atender às necessidades dos pobres, pobres esses que foram criados por vocês mesmos, com a vossa política. O estado interventor retira da sociedade, a sua responsabilidade. Graças ao estado assistencialista, as famílias deixam de cumprir seus deveres para obterem o seu bem-estar, incluindo as igrejas.

As pessoas já não praticam mais a caridade e veem os pobres como um problema de governo.
- Para a igreja já não há pobres a ajudar, porque foram empobrecidos permanentemente e agora são propriedade dos políticos. E algo que me irrita profundamente, é o fato dos meios de comunicação observarem o problema sem conseguir analisar o que o causa. O povo empobrece e logo em seguida, vota em quem os afundou na pobreza.

REZEMOS MUITO PELO PAPA, PARA QUE ELE POSSA LEVAR A CABO A MISSÃO QUE O SENHOR LHE CONFIOU.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Amor pelo povo e humildade, virtudes necessárias para quem governa – O Papa Francisco em Santa Marta

Humildade e amor são características indispensáveis para quem governa, ao mesmo tempo que os cidadãos, sobretudo os católicos, não podem desinteressar-se da política. Esta a mensagem principal do Papa Francisco esta manhã na Missa matinal na Capela da Casa de Santa Marta.

O Evangelho desta manhã é aquele do centurião que com humildade e confiança pede a cura do seu servo, enquanto que é hoje também proposta a Carta de S. Paulo a Timóteo com o convite a rezar pelos governantes. Partindo destas leituras o Papa Francisco refletiu sobre o serviço da autoridade. Para o Santo Padre “quem governa deve amar o seu povo”. “Quem não ama o seu povo não pode governar”. O Papa recorda mesmo o rei David que amava tanto o seu povo que depois do pecado do recenseamento diz ao Senhor de não punir o povo mas a ele próprio. O governante tem que ter assim duas virtudes, o amor e a humildade e nenhum cristão se pode desinteressar da política:

“Não se pode governar sem amor ao povo e sem humildade! E cada homem e mulher que toma posse de um serviço de governo deve colocar-se esta questão: Eu amo o meu povo para servi-lo melhor? Sou humilde e ouço todos, as diferentes opiniões, para escolher o melhor caminho? Se não se fazem estas questões o seu governo não será bom. O governante, homem ou mulher, que ama o seu povo é um homem ou uma mulher humilde.”
“Nenhum de nós pode dizer: Mas eu não me meto nisto, eles que governem. Não, não, eu sou responsável pelo governo deles e devo fazer o melhor para que governem bem e devo participar na política como puder. A política – diz a Doutrina Social da Igreja – é uma das formas mais altas da caridade, porque serve o bem comum. Eu não posso lavar as mãos, eh! Todos devemos fazer alguma coisa.”
Segundo o Papa Francisco é habitual ouvir as pessoas dizerem que tudo está mal na política e também nas televisões e na imprensa. E todos dizem mal e estão sempre contra. Mas, o Santo Padre afirma que , tal como o Rei David era governante e pecador , os políticos de hoje também o são, mas “todos nós devemos participar no bem comum” com as nossas propostas e as nossas opiniões. Por isso o católico não pode dizer que não se mistura com a política. Esse não é um bom caminho disse o Papa Francisco que apelou à participação dos católicos na vida pública sob todas a formas possíveis mas em primeiro lugar através da oração:


“Um bom católico mistura-se na política, oferecendo o melhor de si mesmo, para que o governante possa governar. Mas qual é a coisa melhor que nós podemos oferecer aos governantes? A oração! É aquilo que Paulo diz: Oração para todos os homens e para o rei e por todos aqueles que estão no poder. Mas, Padre, aquela pessoa é má, deve ir para o inferno. Reza por ele, reza por ela, para que possa governar bem, para que ame o seu povo, para que sirva o seu povo, para que seja humilde. Um cristão que não reza pelos seus governantes, não é um bom cristão! Mas, Padre, como vou rezar por este? Esta é pessoa que não está bem... Reza para que se converta! Rezar! E isto não o digo eu. Quem o diz é a S. Paulo, a Palavra de Deus.” 

Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pensando no Amor


Para encontrar e viver o amor, é necessário que saibamos amar a DEUS, precisamos nos encontrar com Deus, que é Amor. Pelo amor vemos que nós e os outros temos o mesmo valor. Em sua própria essência, “o amor é uma apreciação, um reconhecimento do valor do outro”.

 Como diz São Paulo: o amor é paciente, é bom; o amor não inveja; o amor não se vangloria e não se envaidece. O amor não procura seus próprios interesses, não se irrita, não folga com a injustiça. Suporta todas as coisas, crê em todas as coisas, espera por todas as coisas, resiste a todas as coisas. O amor defende tudo na vida.

 Somente existe o verdadeiro amor quando uma pessoa passa a reconhecer o outro por aquilo que realmente ele é como ser humano, e começa a gostar dele e se importar com ele como mesmo “Ama o teu próximo como a ti  mesmo”. Portanto, parece que o maior dos ensinamentos é o conhecer-se a si mesmo; pois, quando o homem conhece a si mesmo, ele conhece a Deus, conhece o amor e se torna mais gente.

Precisamos aprender, então, que o que mais necessitamos não é tanto sermos amados, mas, sim, amar. À medida que passamos a entender as características do amor e sua forma de agir, começamos por encontrá-lo dentro de nós, manifestado no calor humano com relação às pessoas e nos pequenos momentos de afeição.

Quando alguém, realmente, ama um ser humano, ele aceita a totalidade do outro, preocupa-se com o seu bem-estar, não se fixando em seus próprios interesses. O amor nos leva em direção à bondade, ao respeito, às necessidades das pessoas que nos cercam. “O amor jamais há de falhar”.

 “Ser capaz de um verdadeiro amor significa amadurecer, ter atitudes realísticas para com o outro. Significa aceitar a responsabilidade pela nossa própria felicidade ou infelicidade; e não esperar que o outro nos faça feliz, não culpá-lo por nosso mau-humor ou por nossas frustrações”                                                                                                                                                                                                                                                                                                (Sanford).


“O amor é sempre o mesmo, porque Deus é amor.”

Fonte: Pe. Luiz

terça-feira, 9 de julho de 2013

A Solidariedade explicada por Francisco e amigos

Há palavras e expressões que adquirem uma presença relativamente importante ao longo do tempo, mas a palavra solidariedade e seu significado estabeleceram raízes profundas no âmbito das relações humanas. Hoje, amanhã, a cada dia ecoa, permanentemente, a pergunta do Deus da vida a Caim: “onde está seu irmão?”. É desafio de toda a humanidade responder a essa pergunta que se entrelaça com muitas outras. Onde está sua família? Onde dorme seu próximo? Onde é seu lar?
Solidariedade, justiça, verdade, se entrelaçam em um só dinamismo que as torna possíveis, e esse é o dinamismo do amor por nós e por toda a humanidade.

A solidariedade é como um bem precioso, primeiro na família, e, quando é quebrada, traz consequência para toda a sociedade. É curioso, a falta de solidariedade é anestésica. Adormece a pessoa em relação às necessidades do outro, ela fica como que trancada em si mesma, de alguma maneira estamos renunciando a ser filhos do mesmo pai. Porque a solidariedade é uma lei, é uma lei que está impressa em nossa vocação de filhos de Deus. Há anarquia, quando a pessoa precisa, para se posicionar, falar mal do outro, atacar o outro, aí se quebra a solidariedade.

Temos que aprender, de alguma maneira, a recriar nossa cultura, porque sem isso não vamos chegar a ser solidários, nem no sentido de ajudar o próximo que precisa comer e se vestir, nem muito menos no de ajudar o próximo que precisa da nossa proteção e afeto. Cem mil palavras podem substituir um gesto solidário.
 Nossa solidariedade se fundamenta e é continuação da solidariedade de Deus para com os seres humanos, sua imagem e semelhança. Por isso, a única resposta cristã possível à pergunta Divina é: “sim, Senhor. Eu sou o guarda do meu irmão”. E essa atitude é tão fundamental que aquilo que fizemos ou deixamos de fazer com os menores, os mais desprotegidos, fizemos ou deixamos de fazer com Cristo.

“Em verdade, eu vos declaro, todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mateus 25, 40).

Fonte: Papa Francisco

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Palavras do Papa Francisco


A experiência espiritual do encontro com Deus não é controlável. Sentimos que Ele está, temos a certeza, mas não podemos controlá-lo. O homem foi feito para dominar a natureza, esse seu preceito divino. Mas com seu Criador não pode fazer isso. Por isso, na experiência de Deus sempre há uma interrogação, um espaço para se lançar à fé. Rabino, o senhor disse uma coisa que, em parte, é certa: podemos dizer o que não é Deus, podemos falar de seus atributos, mas não podemos dizer o que é. Essa dimensão apofântica, que revela como falo de Deus, é crucial em nossa teologia. Os místicos ingleses falam muito desse assunto. Há um livro de um deles, do século XIII, A nuvem do desconhecimento, que tenta diversas vezes descrever Deus e sempre acaba apontando o que Ele não é. A missão da teologia é refletir e explicar os fatos religiosos, e, entre eles, Deus. Também eu poderia classificar como arrogantes as teologias que tentaram não só definir com certeza e exatidão os atributos de Deus, mas que tiveram a pretensão de dizer totalmente como era. O livro de Jó é uma contínua discussão sobre a definição de Deus. Há quatro sábios que vão elaborando essa busca teológica, e tudo acaba com uma expressão de Jó: "Conhecia-te só de ouvido, mas agora viram-te meus olhos". A imagem que Jó tem de Deus no final é diferente da do início. A intenção desse relato é mostrar que a noção desses quatro teólogos não é verdadeira, porque se está sempre buscando e encontrando Deus. E, então, se dá este paradoxo: nós o buscamos para encontrá-lo e, porque o encontramos, o buscamos. É um jogo muito agostiniano.

Fonte: Papa Francisco

domingo, 30 de junho de 2013

São Pedro e São Paulo, Pilares da Igreja

Que maravilha podermos proclamar, celebrar, em uma só festa, esses dois apóstolos admiráveis! Essa é a graça que Deus dá à Sua Igreja, de celebrar esses dois pilares, essas duas colunas no início do Ministério Apostólico.

É com toda a alegria do nosso coração que celebramos os apóstolos Pedro e Paulo e também o Dia do Papa, porque ele é o Sucessor de Pedro.
Hoje, o Papa Francisco é Pedro para nós na Igreja. Mas que maravilha podermos proclamar, celebrar, em uma só festa, esses dois apóstolos admiráveis! Essa é a graça que Deus dá à Sua Igreja, de celebrar esses dois pilares, essas duas colunas no início do Ministério Apostólico.
É claro que conhecemos bem Pedro, porque os Evangelhos narram para nós como esse discípulo foi querido pelo Senhor, como ele foi próximo de Jesus. O Evangelho de hoje nos aponta como Jesus confiou ao apóstolo a Sua Igreja: “Porque tu és Pedro e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja”.
Já nos diziam os Padres da Igreja: “Onde está Pedro aí está a Igreja de Cristo”. Olhamos, hoje, para a Igreja que tem o seu Papa de número 266. Ao longo de 2 mil anos, ela balançou, foi sacudida, perseguida, mas está firme e forte por causa da proclamação de fé do apóstolo Pedro, o qual disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Proclamemos essa mesma fé e olhemos para Pedro na certeza de que estamos no caminho do Senhor.
Paulo foi ardoroso na pregação do Evangelho, converteu-se depois, foi de perseguidor a perseguido por causa do amor de Cristo, e o Evangelho chegou às nações graças a Paulo.
Nós olhamos, então, para o carisma; olhamos para toda a pregação que Paulo fez, na fé, e dizemos que a Igreja precisa da unidade na figura de Pedro. Ela precisa ser missionária.
Que o Senhor nos ensine a olharmos para esses dois apóstolos e termos neles os nossos referenciais de fé.
Deus abençoe você!
Fonte: Padre Roger Araújo – Comunidade Canção Nova

quarta-feira, 19 de junho de 2013


"Uma revolução, para transformar a história, tem que mudar profundamente o coração humano!"
Papa Francisco

Deixar-nos amar pelo Senhor, disse Papa Francisco em sua homilia

Deixar-nos amar pelo Senhor com ternura é difícil, mas é o que devemos pedir a Deus: este foi o convite feito pelo Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

Na homilia, o Pontífice repetiu várias vezes que Jesus nos amou não tanto com “a festa do amor”, de um “coração que muito amou”. Um amor que, como repetia Santo Inácio de Loyola, “se manifesta mais nas obras do que nas palavras” e que é sobretudo“mais dar do que receber”“Esses dois critérios – evidencia o Papa – são como os pilares do verdadeiro amor” de Deus. Ele conhece suas ovelhas uma a uma, porque não se trata de um amor abstrato, mas que se manifesta por cada um de nós:

as palavras, mas com as obras e com a sua vida. A solenidade de hoje, disse, é

“Um Deus que se faz próximo por amor, caminha com seu povo e esse caminhar chega a um ponto inimaginável. E isto é proximidade: o pastor próximo do seu rebanho, de suas ovelhas”.

Citando um trecho do Livro do Profeta Ezequiel, o Papa evidencia outro aspecto do amor de Deus: o cuidado pela ovelha perdida e por aquela ferida e doente:

“Ternura! O Senhor nos ama com ternura. O Senhor conhece aquela bela ciência dos carinhos, a ternura. Não nos ama com as palavras. Ele se aproxima e nos dá o amor com ternura. Proximidade e ternura! E este é um amor forte, porque nos faz ver a fortaleza do amor de Deus”.

Francisco explica ainda que este amor deve fazer-se próximo do outro, deve ser como o do bom samaritano. Mas é possível retribuir todo este amor ao Senhor?

“Isso pode parecer uma heresia, mas é a grande verdade! Mais difícil que amar a Deus é deixar-se amar por Ele! A maneira de retribuir tanto amor é abrir o coração e deixar-nos amar. Deixar que Ele se faça próximo a nós, deixar que ele nos acaricie. É tão difícil deixar-nos amar por Ele. Talvez isso é o que devemos pedir hoje na Missa: ‘Senhor, eu quero amá-Lo, mas me ensine a difícil ciência, o difícil hábito de deixar-nos amar, de senti-Lo próximo e tenro!’. Que o Senhor no dê esta graça!”


Fonte: Rádio Vaticano

"Acredito que existe algo além"


Geralmente, utilizamos a palavra acreditar, relacionando-a ao termo opinião, mas aqui nós a usamos com outro significado, com o sentido de firmeza, de adesão. Quando digo: "acredito que existe algo além", na realidade, estou dizendo que tenho certeza. Na linguagem teologal, acreditar é uma certeza. E a vida do além é gestada aqui, na experiência do encontro com Deus; começa no espanto do encontro. Moisés se encontra com Deus aos oitenta anos, já havia criado barriga, cuidava das ovelhas de seu sogro e, de repente, um arbusto pega fogo: o espanto. "Eu vi Deus", diz. Em outras partes da Bíblia, por exemplo, no Livro dos Juízes, aparece o medo de morrer depois de ter visto Deus. Não é que vê-lo seja um castigo, é que já entrou na outra dimensão e sabe que vai partir para lá. Essa é a interpretação mais rica que encontro na Bíblia sobre a outra vida. Não se pode viver em estado de espanto permanente, mas a lembrança desse momento não se esquece. Acreditamos que há outra vida, porque já começamos a senti-la aqui. Mas não por uma sensação agradável, e sim por um espanto mediante o qual Deus se manifestou a nós.


                                                                                                    Papa Francisco

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Valor da contrição na oração



Precisamos pedir a Deus que tenha piedade de nós, porque somos pecadores. Contrição é se colocar na presença de Deus, reconhecer as bobagens, os pecados, humilhar-se diante Dele. Por isso, o soberbo não é capaz de rezar, o autossuficiente não pode orar. Aquele que pecou pode voltar a Deus. Deve-se abrir uma porta a quem queira retornar ao Senhor.

A Bíblia é um relato de simplicidade, de humildade, em que o homem luta com suas paixões. Davi foi adúltero e autor intelectual de um assassinato, contudo, nós o veneramos como a um santo, porque teve a coragem de dizer “pequei”. Humilhou-se perante Deus. Uma pessoa pode fazer grande bobagem, mas também pode reconhecê-la, mudar de vida e reparar o que fez.

A atitude de Zaqueu (Lucas 19,1-9) deve ser imitada por todos nós. A pessoa tem que mudar ao se encontrar com Deus. Não basta dizer ”Eu me enganei”. A minha culpa pertence ao mundo do idólatra. É mais um recurso humano. A culpa sem reparação não nos deixa crescer. Não podemos ser como esses cristãos de apenas bons modos, mas de maus costumes no coração: os soberbos. Às vezes, a transgressão nos faz humildes na presença do Senhor e nos leva a pedir perdão. A autossuficiência destrói mundos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Mulher na Família: A Esposa e Mãe - Sol do Lar Doméstico



A esposa é o sol da família com sua cândida naturalidade, com sua digna simplicidade e com seu decoro honesto e cristão, tanto no recolhimento e na retidão do espírito, como na sutil harmonia de seu comportamento ou de seu vestido, de seu ajustamento e atitude, ao mesmo tempo reservados e afetuosos. Sentimentos leves, delicados, acenos do rosto, ingênuos silêncios e sorrisos, um condescendente movimento de cabeça dá-lhe a graça de uma flor eleita e simples, que abre suas corolas para receber e refletir as cores do sol. 
Oh! Se vós soubésseis que profundos sentimentos de afeição e reconhecimento tal imagem de esposa e de mãe suscita e imprime no coração do pai e dos filhos!
Ó anjos, que guardais a casa e escutais suas preces, espargi de perfumes celestes este lar de felicidade cristã!
Mas, se suceder que a família permaneça sem este sol, como será? Se a esposa, continuamente, e a cada circunstância, mesmo nas relações mais íntimas, não titubeia em fazer sentir quantos sacrifícios lhe custa a vida conjugal? Onde está sua amorosa doçura, quando com uma excessiva dureza na educação, com uma excitabilidade mal dominada e uma irritante frieza no olhar e na palavra sufoca nos filhos o sentimento e a esperança de encontrar alegria e feliz paz junto da mãe?
Quando ela não faz senão perturbar triste e amargamente, com voz áspera, com lamentos e reprovações, a confiante convivência no círculo familiar? Onde está a generosa delicadeza e o terno amor, quando ela, em vez de criar com natural simplicidade e prudência uma atmosfera de agradável tranquilidade na casa, toma ares de irrequieta, nervosa e exigente senhora, bem em moda hoje?

Fonte:  Papa Pio XII 



Palavra do Papa Francisco

Paz e bem!

Não é uma expressão de Jesus que sempre me impressiona: "Dai-lhes vós de comer" (Lc 9:13). A partir desta frase, eu me deixei ser guiado por três palavras: discipulado, comunhão e partilha.

Como  seguir a Jesus? Jesus fala em silêncio no mistério da Eucaristia e cada vez nos lembra que segui-Lo significa sair de nós mesmos e fazer da nossa vida não nossa posse, mas um presente para Ele e para os outros.

Diante da necessidade da multidão, os discípulos pedem a Jesus que despeça a multidão. Aqui está a solução dos discípulos, todo mundo pensa em si mesmo, descartando a multidão! Quantas vezes nós, cristãos, temos esta tentação! Nós não nos importamos com as necessidades dos outros, dispensando-os com um lamentável, "Deus te ajude". Mas a solução de Jesus vai para outro direção, uma direção que surpreende os discípulos: "Dai-lhes vós de comer." Mas como é que estamos a alimentar uma multidão? "Temos apenas cinco pães e dois peixes, salvo se nós formos comprar comida para todo este povo" (Lc 9:13). Jesus, porém, não desanima. Levanta os olhos para o céu, abençoa, parte os pães, e dá aos discípulos para distribuí-los (cf. Lc 9:16). É um momento de profunda comunhão: a multidão saciada pela palavra do Senhor, é agora alimentado pelo pão de sua vida. E todos foram cheios, escreve o evangelista (cf. Lc 9:17).

Onde é que a multiplicação dos pães? A resposta está no convite de Jesus aos seus discípulos: "Você dá ...", "dar", compartilhe. Qual a percentagem dos discípulos? O pouco que eles têm: cinco pães e dois peixes. Mas é precisamente aqueles pães e peixes que alimentam, nas mãos de Deus, toda a multidão. E isso nos diz que na Igreja, mas também na sociedade, a palavra-chave que não precisamos temer é "solidariedade", sabendo como colocar, ou seja, à disposição de Deus o que temos, a nossa humilde capacidade, pois só na partilha, no presente, nossa vida será frutífera, vai dar frutos. Solidariedade: uma palavra desaprovada pelo espírito do mundo! Uma solidariedade que nunca se esgota, uma solidariedade que não cessa de nos surpreender: Deus se aproxima de nós no sacrifício da Cruz para nos dar sua vida, que vence o mal, do egoísmo e da morte. E o Senhor na Eucaristia faz-nos seguir o seu caminho, o do serviço, da partilha, da doação. O pouco que temos, o pouco que somos, se compartilhado, torna-se riqueza, porque o poder de Deus, que é o de amor, cai na nossa pobreza para transformá-la.

Deixe  o Senhor, que se dá para nós, guiar-nos para sairmos mais e mais da nossa pequena cerca, para sair e não ter medo de dar, de partilhar, de amar a Deus e os outros.

Discipulado, comunhão e partilha. Rezemos para que a participação na Eucaristia provoque-nos sempre a seguir o Senhor a cada dia, ser instrumentos de comunhão, para compartilhar com Ele e com o próximo o que somos. Então, nossa vida será verdadeiramente fecunda. Amém.



Santa Missa: importância e significados

A Missa é a maior, a mais completa e a mais poderosa oração da qual dispõe o católico. Nos dias de hoje, muitos irmãos e irmãs católicos, ainda não sabem o verdadeiro significado e o valor de uma Santa Missa. Alguns vão apenas por um sentido de obrigação ou convenção social, talvez imposta pelos pais na infância. Grande parte deles acabam por abandonar a Igreja por acharem uma coisa repetitiva, desconhecendo o verdadeiro conteúdo de uma Celebração da Eucaristia. Evangelizar também é ensinar o verdadeiro sentido dos sacramentos da Igreja e portanto, aprenda você também a mostrar o sentido da Santa Missa aos seus parentes, familiares, amigos e vizinhos.  


Eduque seus filhos na fé!  Fale de Deus com todos! Não tenha medo nem vergonha! Entenda que Deus realmente está presente na missa e fala diretamente conosco. É preciso tornar-se criança no sentido de inocência e humildade para participar bem e aproveitar todas as bençãos que provém dos céus durante a missa.   Ao entrar na igreja deixe de lado seus problemas e preocupação com o mundo e se entregue totalmente nas mãos do Nosso Senhor.

Porque ir à Igreja?
O individualismo não tem lugar no Evangelho, pois a Palavra de Deus nos ensina a viver fraternalmente. O próprio céu é visto como uma multidão em festa e não como indivíduos isolados. A Igreja é o povo de Deus. Com ela, Jesus fez a Nova e Eterna Aliança no seu Sangue. A palavra Igreja significa Assembléia. É um povo reunido na fé, no amor e na esperança pelo chamado de Jesus Cristo.

A Missa foi sempre o centro da comunidade e o sinal da unidade, pois é celebrada por aqueles que receberam o mesmo batismo, vivem a mesma fé e se alimentam do mesmo Pão. Todos os fiéis formam um só "corpo". São Paulo disse aos cristãos: "Agora não há mais judeu nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem, nem mulher. Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus" (Gl 3,28).

Gestos e atitudes
O homem é corpo e alma. Há nele uma unidade vital. Por isso ele age com a alma e com o corpo ao mesmo tempo. O seu olhar, as suas mãos, a sua palavra, o seu silêncio, o seu gesto , tudo é expressão de sua vida. Na Missa fazemos parte de uma Assembléia dos filhos de Deus, que tem como herança o Reino dos Céus. Por isso na Celebração Eucarística, não podemos ficar isolados, mudos, cada um no seu cantinho. 

A nossa fé, o nosso amor e os nossos sentimentos são manifestados através dos gestos, das palavras, do canto, da posição do corpo e também do silêncio. Tanto o canto como o gesto, ambos dão força à palavra. A Oração não diz respeito apenas à alma do homem, mas ao homem todo, que é também corpo. O corpo é a expressão viva da alma.

Significado dos gestos e posições
SENTADO: É uma posição cômoda, uma atitude de ficar à vontade para ouvir e meditar, sem pressa.
DE PÉ: É uma posição de quem ouve com atenção e respeito. Indica a prontidão e disposição para obedecer. (Posição de orante)
DE JOELHOS: Posição de adoração a Deus diante do Santíssimo Sacramento e durante a consagração do pão e vinho.
GENUFLEXÃO (ajoelhar-se): É um gesto de adoração a Jesus na Eucaristia. Fazemos quando entramos na igreja e dela saímos, se ali existir o Sacrário.
INCLINAÇÃO: Inclinar-se diante do Santíssimo Sacramento é sinal de adoração.
MÃOS LEVANTADAS: É atitude dos orantes. Significa súplica e entrega a Deus.
MÃOS JUNTAS: Significam recolhimento interior, busca de Deus, fé, súplica, confiança e entrega da vida.
SILÊNCIO: O silêncio ajuda o aprofundamento nos mistérios da fé. Fazer silêncio também é necessário para interiorizar e meditar, sem ele a Missa seria como chuva forte e rápida que não penetra na terra.

Canto Litúrgico
A liturgia inclui dois elementos: o divino e o humano. Ela nos leva ao encontro pessoal com Deus, tendo como Mediador o próprio Cristo, que nascido de Maria, reúne em Si a Divindade e a Humanidade. Portanto, a Missa é mais do que um conjunto de orações: ela é a grande Oração do próprio Jesus, que assume todas as nossas orações individuais e coletivas para nos oferecer ao Pai, juntamente com Ele.  O canto na Missa está a serviço do louvor de Deus e de nossa santificação. Não é apenas para embelezar a Missa, para nos ajudar a rezar. E cada canto deve estar em sintonia como momento litúrgico que se celebra. O canto penitencial deve nos ajudar a pedir perdão de coração arrependido; um canto de Ofertório deve nos ajudar a fazer a nossa entrega a Deus; um canto de Comunhão deve nos colocar em maior intimidade com Deus e expressar nossa adoração e ação de graças.

O Sacerdote
O Concílio Vaticano II diz que o padre age "in persona Christ", isto é, em lugar da pessoa de Jesus. O padre é presbítero e profeta. Como sacerdote, administra os sacramentos, preside o culto divino e cuida da santificação da comunidade, como profeta, anuncia o Reino de Deus e denuncia as injustiças e tudo o que é contra o Reino; como presbítero, o padre administra e governa a Igreja.

Liturgia
Para os cristãos, Liturgia é pois, a atualização da entrega de Cristo para nossa salvação. Cristo entregou-se duma vez por todas, na Cruz. O que a liturgia faz é o memorial de Cristo e da nossa salvação, ou seja, torna presente, através da celebração, o acontecimento definitivo do Mistério Pascal. Através da celebração litúrgica, o crente é inserido nas realidades da sua salvação.

Liturgia é antes de tudo "serviço do povo". Essa experiência é fruto de uma vivencia fraterna, ou seja, é o culto, é uma representação simbólica (que não se trata de uma encenação, uma vez que o mistério é contemplado em "espírito e verdade") da vida cotidiana do crente em comunhão com sua comunidade. A Liturgia tem raízes absolutamente cristológicas. 

Cristo rompe com o ritualismo e torna a liturgia um "culto agradável a Deus", conforme preceitua o apóstolo Paulo em Romanos 12:1-2.

Cores
Quando vamos à igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão, e até mesmo a estola e a casula usadas pelo sacerdote, combinam todos com uma mesma cor. Percebemos também, que a cada semana, essa cor pode permanecer a mesma ou variar. Se acontecer de no mesmo dia irmos a duas igrejas diferentes, comprovaremos que ambas usam a mesma cor, com exceção, é claro, da igreja que celebra o seu padroeiro. Na verdade, a cor usada um certo dia é válida para a Igreja em todo o mundo, que obedece a um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia, indicada pelo calendário, fica estabelecida uma determinada cor.

Desta forma, concluímos que as diferentes cores possuem algum significado para a Igreja: elas visam manifestar externamente o caráter dos Mistérios celebrados e também a consciência de uma vida cristã que progride com o desenrolar do Ano Litúrgico. Manifesta também, de maneira admirável, a unidade da Igreja. No início havia uma certa preferência pelo branco. Não existiam ainda as chamadas cores litúrgicas. Estas só foram fixadas em Roma no século XII. Em pouco tempo, devido ao seu alto valor teológico e explicativo, os cristãos do mundo inteiro aderiram a esse costume, que tomou assim, caráter universal. As cores litúrgicas são seis, como veremos a seguir.

Branco - Usado na Páscoa, no Natal, nas Festas do Senhor, nas Festas de Nossa Senhora e dos Santos, exceto dos mártires. Simboliza alegria, ressurreição, vitória e pureza.Sempre é usado em missas festivas.
Vermelho - Lembra o fogo do Espírito Santo. Por isso é a cor de Pentecostes. Lembra também o sangue. É a cor dos mártires e da Sexta-feira da Paixão e do Domingo de Ramos. Usado nas missas de crisma, em pentecostes e martirios.
Verde - Se usa nos domingos e dias da semana do Tempo Comum. Está ligado ao crescimento, à esperança.
Roxo - Usado no Advento e na Quaresma. É símbolo da penitência e da serenidade. Também pode ser usado nas missas dos defuntos e na celebração da penitência.
Róseo - O rosa pode ser usado no 3º domingo do Advento (Gaudete) e 4º domingo da Quaresma (Laetare). Simboliza uma breve pausa, um certo alívio no rigor da penitência da Quaresma e na preparação do Advento.
Preto - É sinal de tristeza e luto. Hoje está praticamente em desuso na liturgia.
Azul - Usa-se ou não na Solenidade da Imaculada Conceição; representa o manto azul de Nossa Senhora. Ainda não é usado por muitos padres!

Aprofundamento da Liturgia Católica
Segundo a doutrina da Igreja Católica, a liturgia é a celebração do "Mistério de Cristo e em particular do seu Mistério Pascal", sendo por isso "o cume para onde tendem todas as ações da Igreja e, simultaneamente, a fonte donde provém toda a sua força vital". Através deste serviço de culto cristão, "Cristo continua na sua Igreja, com ela e por meio dela, a obra da nossa redenção". Mais concretamente, na liturgia, mediante "o exercício do sacerdócio de Cristo", "o culto público devido a Deus" é exercido pela Igreja, o Corpo místico de Cristo, e "a santificação dos homens é significada e realizada mediante" os sete sacramentos.

Aliás, "a própria Igreja é sacramento de Cristo, pois é através dela que hoje Jesus fala aos fiéis, lhes perdoa os pecados e os santifica, associando-os intimamente à sua oração" e ao seu Mistério Pascal. Esta "presença e atuação de Jesus" na liturgia e na Igreja, são assegurados eficazmente pelos sacramentos, com particular destaque para a Eucaristia. Aliás, a Eucaristia, que renova o Mistério Pascal, é celebrada pela Missa, que é por isso a principal celebração litúrgica e sacramental da Igreja Católica. Para além da Missa, destaca-se também a Liturgia das Horas.