Qual seria a lei mais importante do Código do Direito Civil? São tantas e tão variadas que ninguém, em sã consciência, afirmaria ser essa ou aquela. Pois em todos os setores da vida humana existem normas, princípios e leis para garantir a ordem, a convivência e o progresso.
É interessante saber que, enquanto uns elaboram leis para reprimir certas situações de violência, existem outros interessados em estudar formas de se eximir delas. Parece que a humanidade ainda não despertou para a realidade que a história oferece como ponto de referência para um relacionamento harmonioso e fecundo.
Promulgam leis em excesso. O bom senso e a ética cristã diriam que esse excesso prejudica em muito a convivência e o bem estar de uma sociedade. Se, ao contrário, buscassem viver o mandamento do amor ensinado pelo Mestre dos mestres, tudo seria mais harmonioso e mais humano.
É neste mandamento do amor que deveriam se fundamentar as demais leis. Pois onde houver um amor sincero ao próximo, haverá um amor sincero a Deus. E onde houver um amor verdadeiro a Deus, haverá um amor verdadeiro ao próximo.
Não pode haver diferença. Os dois mandamentos devem se completar e conviver no mesmo plano. Muitos pensam que o amor a Deus seja diferente do amor ao próximo. Esquecem que o caminho para chegar a Deus passa pelo coração do irmão. São João Evangelista diz: “Se alguém afirma que ama a Deus e, no entanto, odeia seu irmão, esse é mentiroso; pois quem não ama seu irmão a quem vê, não poderá amar a Deus a quem não vê.” (Jo 4,20)
Se o mundo entendesse e vivesse de acordo com esse mandamento, não haveria necessidade de tantas leis elaboradas, espalhadas pelo mundo, impostas e transgredidas. Está faltando abrir o coração para Deus e para o irmão. Está faltando aproximação íntima com Deus e amor sincero ao irmão. Está faltando sensibilidade em viver a generosidade de Deus e a solidariedade com os irmãos.
O povo judeu possuía uma lista de mandamentos muito extensa. Eram 613 mandamentos. Desses, 365 eram proibições e 248 ações a serem cumpridas. Havia entre eles diversas correntes de pensamento. Cada corrente defendia seus próprios grupos de leis. E a confusão era apenas conseqüência dessas divergências. Vão ao Mestre dos mestres saber a opinião dele a esse respeito: “afinal, qual seria o maior entre todos os mandamentos?” E o Mestre, sábio e perspicaz, responde com toda sua segurança: “O maior mandamento é: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” (Mt.22,37-40)
Quanto menos se ama a Deus, menos se amará o próximo. E quanto menos se amar o próximo, mais difícil será amar a Deus. É a falta desse amor que causa a violência, a fome, a guerra e a pobreza no mundo.
É preciso voltar para Deus. Ele é carinhoso em acolher e generoso em perdoar. Ele é bondoso em seus ensinamentos e sábio em suas orientações. Nele o ser humano encontrará graça, redenção e vida nova.
Frei Venildo Trevizan
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