quinta-feira, 4 de julho de 2013

Palavras do Papa Francisco


A experiência espiritual do encontro com Deus não é controlável. Sentimos que Ele está, temos a certeza, mas não podemos controlá-lo. O homem foi feito para dominar a natureza, esse seu preceito divino. Mas com seu Criador não pode fazer isso. Por isso, na experiência de Deus sempre há uma interrogação, um espaço para se lançar à fé. Rabino, o senhor disse uma coisa que, em parte, é certa: podemos dizer o que não é Deus, podemos falar de seus atributos, mas não podemos dizer o que é. Essa dimensão apofântica, que revela como falo de Deus, é crucial em nossa teologia. Os místicos ingleses falam muito desse assunto. Há um livro de um deles, do século XIII, A nuvem do desconhecimento, que tenta diversas vezes descrever Deus e sempre acaba apontando o que Ele não é. A missão da teologia é refletir e explicar os fatos religiosos, e, entre eles, Deus. Também eu poderia classificar como arrogantes as teologias que tentaram não só definir com certeza e exatidão os atributos de Deus, mas que tiveram a pretensão de dizer totalmente como era. O livro de Jó é uma contínua discussão sobre a definição de Deus. Há quatro sábios que vão elaborando essa busca teológica, e tudo acaba com uma expressão de Jó: "Conhecia-te só de ouvido, mas agora viram-te meus olhos". A imagem que Jó tem de Deus no final é diferente da do início. A intenção desse relato é mostrar que a noção desses quatro teólogos não é verdadeira, porque se está sempre buscando e encontrando Deus. E, então, se dá este paradoxo: nós o buscamos para encontrá-lo e, porque o encontramos, o buscamos. É um jogo muito agostiniano.

Fonte: Papa Francisco

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