Evangelho - Mt 14,13-21
Cinco pães e dois peixes alimentaram cinco mil homens sem
contar mulheres e crianças, e sobraram doze cestos. E ainda tem gente que
duvida da divindade do Filho de Deus!
Jesus é aquele que nos alimenta em plenitude. O corpo e a
alma. Sua caridade é completa. Primeiro Ele curou os doentes, livrando-os do
mal do corpo. Depois os alimentou com a sua palavra de vida eterna, sustento
para a alma e para a fé. Finalmente Jesus os alimentou com pão e peixe,
nutrindo-os para levar seus
ensinamentos para outros irmãos.
Quanto alimento que sobra das nossas mesas! Quantos irmãos que sofrem pela falta de
comida! Como podemos sorrir felizes ou
fingindo estar felizes, num almoço farto com familiares, enquanto lá fora nas
calçadas, e nas favelas, muitos rostos tristes de adultos idosos e crianças,
olham o vazio, sem solução para a sua fome e seu desconforto! Os bolsões de pobreza são explorados pelos
políticos na campanha eleitoral, quando eles prometem em troca do voto, a
solução para a pobreza. Quando eles ganham a eleição às custas dos votos
daqueles miseráveis, não volta mais na favela e nem apresentam nenhum projeto
para pelo menos aliviar o sofrimento daqueles marginalizados.
É por isso que a miséria nunca terá fim. Pois ela é útil
para os poderosos. Pois se trata da
exploração do homem pelo homem. O rico não vive sem o pobre. Ele precisa do
pobre. O poder público não providencia a partilha para os famintos, muito menos
projetam um sistema de controle de natalidade adequado. Desse modo, é fácil
imaginar o futuro o qual já está instalado no meio de nós. Muita gente para
comer, vestir, abrigar-se, e poucos recursos disponíveis para todos eles. Pois
esses recursos estão concentrados nas mãos de uma minoria.
É por isso que em parte somos culpados por tantos assaltos,
por tanta violência! A qual é causada pela nossa falta de caridade, de
partilha, de amor ao próximo na prática. Não se trata aqui de alimentar
preguiçosos, apesar de que a preguiça é uma insuficiência de alguns. Trata-se
de dar a vara para eles pescar o seu próprio alimento, dando aos jovens ensino
técnico em vez de não lhes ensinar nada de útil para as suas vidas como está
acontecendo nas escolas públicas.
Trata-se de valorizar os professores com salários justos e todo apoio
para que eles possam exercer um ensino de verdade, uma educação para a vida e
não para a morte. Pois toda mudança social deve começar pela educação, e não
pela repressão.
Caríssimos. Omelhor investimento! Melhor que investir nos
melhores bancos, é matar a fome dos famintos, é também ajudar a sua igreja na
hora da coleta. Porque fazendo isso,
você está devolvendo a Deus um pouquinho do muito que Ele lhe deu. E tenha
certeza de que você não ficará sem recompensa.
Já não acontece o mesmo para aqueles que embora tendo muito, não se
importam com a dor da fome dos excluídos, aos quais eles chamam de vagabundos!
Já não acontece o mesmo também para aqueles que fingem estar lendo o folheto da
missa na hora que passa por eles a coleta.
Vivemos num mundo em que tudo é pago. Só ainda não estamos
pagando para respirar.Tudo gira em torno do dinheiro. Quem é caridoso tem de
enfrentar a oposição dos demais, começando pela nossa própria família. E mais.
Infelizmente quem faz caridade é acusado de deixar os necessitados mais
acomodados e propensos a não fazerem mais nenhum esforço pela sua
sobrevivência.
Os arrogantes não partilham, não dão esmolas, economizam,
juntam, investem, com medo do dia de amanhã, pois eles não depositam sua
confiança em Deus. Já a maioria dos
pobres são caridosos pois eles sabem o que é viver a triste realidade da
miséria.
Por outro lado, a liturgia deste domingo nos leva a refletir
sobre a Eucaristia, Jesus o Pão da vida que se deu pelo alimento da nossa alma,
da nossa fé. Na multiplicação dos pães Jesus demonstrou o seu poder divino
assim como também manifestou na prática o seu imenso amor por aquelas pessoas
que o seguiam por causa das curas e por causa da sua palavra que os encantava.
Hoje o corpo de Cristo, o pão vivo que desceu do Céu,
continua a ser distribuído para milhões de fiéis no mundo inteiro, que procuram
saciar a sua fome e a sua sede de Deus, através da Igreja. Não adiantam as investidas de satanás para atrapalhar, ou
mesmo tirar Deus da nossa mente e da sua Igreja. Porque as portas dos infernos
não se prevalecerão contra ela.
Na Eucaristia está concentrado o tesouro espiritual da nossa
Igreja, pois ela é o centro de toda a vida cristã. É o próprio Jesus, O Filho
de Deus que se fez alimento para nos fortalecer contra toda causa de pecado. É
Deus vivo que quis estar presente no nosso meio, em nossa alma, através do seu
Filho sacramentado. Na Eucaristia Deus
não apenas nos oferece alguma coisa maravilhosa, mas Ele se dá a si mesmo, seu
corpo e seu sangue. E assim, em cada Eucaristia, a comunidade cristã nasce de
novo com forças novas e com a fé alimentada, pronta para enfrentar todas as
adversidades desse mundo sem Deus.
Mas infelizmente, são muitos os que ainda colocam sua
segurança no dinheiro e nos bens materiais, em vez de buscar a fonte de água
pura. São muitos os que dão pouca
importância a palavra de Deus, que disse: “Quando deres uma esmola a um
mendigo, foi a mim que destes”, e continuam ignorando o irmão necessitado. São
muitos que iludidos com o conforto e tudo o que o dinheiro pode comprar, vivem
afastados de Deus e do irmão carente, buscando sempre a aproximação com aqueles
que são do seu nível social e econômico.
Meu irmão, minha irmã. Não seja um desses! Procure multiplicar a sua caridade, a sua fé,
a sua esperança nas promessas de Cristo. Multiplique também a oração, a negação
de si mesmo, e acima de tudo, faça alguma coisa para multiplicar o número de
catequistas no mundo. Seja ministros ordenados, ou seja, leigos integrados no
Plano de Deus.
Fonte: José Salviano.
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