terça-feira, 2 de setembro de 2014

Homilia

Domingo, 31 de agosto de 201422º Domingo do Tempo Comum - Primeira leitura: Jeremias 20,7-9 - A palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha.Salmo responsorial: Salmo 62(63),2.3-4.5-6.8.9 (R. 2b) - A minha’alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus!Segunda leitura: Romanos 12,1-2 - Oferecei-vos em sacrificio vivo.Evangelho: Mateus 16,21-27 - Se alguém quer me seguir renuncie-se a si mesmo.A liturgia de hoje centra a atenção sobre as consequências dolorosas do ministério profético e do seguimento de Jesus. Tanto Jeremias como Mateus, chamam a atenção sobre o conflito enfrentado pelo profeta e por Jesus.A experiência do exílio marcou a vida do povo de Israel. Foi um momento muito doloroso que lhe exigiu repensar sua fé no Deus da Aliança. Neste marco histórico se situa o profeta Jeremias.Esta passagem coloca em relevo o clamor do profeta porque Deus o seduziu e se tornou objeto de galhofa de todos e a palavra foi motivo de dor e desprezo. Por isso o profeta quis abandonar a sua missão, porém a Palavra foi mais forte e por ela foi vencido. A maioria dos profetas bíblicos sofreram experiências similares às de Jeremias. São rejeitados por seus próprios irmãos e pelas autoridades correspondentes. Muitos deles sofreram a morte e o desterro. Porém, foi mais forte a fidelidade a Deus e ao seu povo, que sua própria segurança e bem-estar. A Palavra de Deus age no profeta como um fogo abrasador que não o deixa tranquilo e o mantém sempre alerta no cumprimento de sua missão.
No evangelho encontramos um belo esquema catequético “sobre o discipulado como seguimento de Jesus até a cruz”. Jesus manifesta a seus discípulos que o caminho da ressurreição está estreitamente vinculado à experiência dolorosa da cruz. O núcleo principal é o primeiro anúncio da paixão. Porém, os discípulos, simbolizados pela pessoa de Pedro, não compreenderam esta realidade. Eles estão convencidos do messianismo glorioso de Jesus que se manifesta nas expectativas messiânicas do momento. Jesus rejeita enfaticamente esta proposta, pois a vontade do Pai não coincide com a expectativa de Pedro e dos discípulos. Por isso Pedro aparece como instrumento de Satanás que obstaculiza a missão de Jesus.O mestre convida o discípulo a continuar seu caminho seguindo-o porque ainda não alcançou a maturidade do discípulo. Logo, Jesus se dirige a todos os discípulos para assinalar que o caminho do seguimento por parte do discípulo também comporta a cruz. Não há verdadeiro discipulado se não se assume o mesmo caminho do Mestre. O anúncio do evangelho traz consigo perseguição e sofrimento. Tomar a cruz significa participar damorte e ressurreição de Jesus. A perda da vida por causa de Jesus habilita o discípulo a alcança-la em plenitude junto a Deus.No batismo nos consagramos com a missão de sermos sacerdotes, profetas e reis. Portanto, a dimensão profética de nossa fé é intrínseca à consagração batismal. Hoje não podemos prescindir do profetismo no seguimento de Jesus. E sabemos que as consequências do profetismo vinculado estritamente à missão evangelizadora, são a oposição, a perseguição, a rejeição e o martírio. Muitos homens e mulheres, em distintas partes do mundo, apostaram a vida pela fé e pela defesa dos valores evangélicos. Se queremos seguir Jesus em fidelidade temos que enfrentar muitas contradições, caminhar na contramão do que propõe a ordem estabelecida, a cultura dominante e a globalização do mercado – que é a globalização da exclusão.Gostaríamos de viver um cristianismo cômodo, sem sobressaltos e sem conflitos. Porém, Jesus é claro em seu convite: é preciso tomar a cruz, arriscar a vida, perder os privilégios e seguranças que a sociedade nos oferece se queremos ser fieis ao evangelho. Como vivemos em família e na comunidade cristã a dimensão profética de nosso batismo? Estamos dispostos/as a correr os riscos embutidos no seguimento de Jesus? Conhecemos pessoas que viveram a experiência do martírio por causa do evangelho? O que é ser mártir nos dias de hoje?

A segunda leitura da carta de Paulo aos cristãos de Roma utiliza uma linguagem imperativa. Estes versículos servem de união com a parte anterior, mais indicativa. A linguagem é exortativa. Paulo fala, não somente como irmão na fé, mas com a autoridade de apóstolo. Convida os fiéis a fazer de seu corpo uma oferenda permanente a Deus. O verdadeiro culto não se reduz a ritos externos, mas procede de uma vida reta. O corpo, veículo da vida interior, deve ser um canto de louvor e gratidão a Deus. Nisto consiste a conversão para Paulo: em uma vida totalmente transformada pelo Espírito de Deus, que se reflete na mudança de mentalidade, de valores e de horizontes. Somente assim é possível adquirir critérios de discernimento para buscar, encontrar e realizar a vontade de Deus.Oração: Ó Deus, amor eterno, gerador de todos os seres e os envolves em tua ternura materna. Faze que tenhamos em nós uma atitude de confiança radical na bondade da vida e da existência, para que sejamos também criadores de vida por amor. Tu que vives, reinas, amas e chamas ao amor, pelos séculos dos séculos. Amém.

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