Herodes estava curioso por
saber quem era esse homem que causava tanto alvoroço por onde passava. O
imagino se questionando: Quem então é esse homem de que falam tanto? “(…)
Herodes, o governador da Galiléia, ouviu falar de tudo o que estava acontecendo
e ficou sem saber o que pensar. Pois alguns diziam que João Batista tinha sido
ressuscitado, outros diziam que Elias tinha aparecido…”.
Imagino tantas pessoas que
querem conhecer Jesus e não o encontram, em contrapartida os “Herodes” que
precisam ser avisados sobre a presença de Jesus no mundo. Tenho então refletido
muito esses dias o discurso de Bento XVI aos bispos do nordeste (e do Brasil
também).
“(…) Diante deste quadro
emerge, por um lado, a clara necessidade que a Igreja católica no Brasil se
empenhe numa nova evangelização que não poupe esforços na busca de católicos afastados bem como daquelas pessoas que pouco ou nada conhecem sobre a mensagem evangélica,
conduzindo-os a um encontro pessoal com Jesus Cristo, vivo e operante na sua igreja”
Há um povo curioso e sedento
de Deus, mas que não teve a oportunidade de reconhecê-lo ao seu lado, no seu
caminhar, em sua vida. Como o evangelho de domingo nos bem alerta, talvez que
nossa criatividade ou empenho não tenham sido do administrador infiel quando se
viu em uma enrascada e de fato também somos assim…
Esforçamo-nos em ter Deus ao
nosso lado quando estamos em apuros, mas facilmente o esquecemos quando estamos
numa posição privilegiada ou de conforto.
“(…) Todos somos tentados
como Cristo: tentados de voltar às costas a Deus Criador; de pararmos diante
das coisas para possuí-las; de querer dominar sobre os outros, de colocar-nos
no centro do mundo: pessoas e povos, caídos na tentação. Situações de violência
e prepotência onde um exaltado demonstra uma irreprimível vontade de poder”
(Dom Geraldo Majella)
Precisamos estar atentos
para não nos colocar a frente da graça como Herodes. Ele não tinha intenção de
matar João Batista, mas o fez para demonstrar que “manda” e muita gente também
não tem a intenção, mas afasta as pessoas de Deus. Muita gente a frente de
movimentos e pastorais e também por vezes sacerdotes, ministros, seminaristas,
(…) esquecem da ovelha perdida caso sua vontade pessoal não seja feita,
cumprida, realizada…
Grupos de jovens têm
acabado, mas ninguém se atenta; jovens tentam adentrar nos movimentos e
pastorais, mas não sabemos como falar com eles; conclui-se turmas de crisma,
mas poucos desejam ficar e os que ficam, sem preparo, já são incorporados a
messe… Será que nossos planos precisam de uma revisada ou recall?
Devemos valorizar o que
temos de mais precioso que é nossa tradição, mas temos dado muito mais atenção
a criticar aquele que proclamou gaguejando a primeira leitura do que
incentivá-lo a continuar. A igreja não precisa de músicos, mas é muito triste
sem eles, pois como diz o missal, eles também são comunidade.
A base de nossas comunidades
esta envelhecendo, pois poucos líderes estão sendo formados; poucos
seminaristas são suscitados por serem atraídos pelo mundo e não pelo encanto de
se levar a palavra de Deus, pois os nossos irmãos padres e catequistas também
precisam reaprender a encantar e talvez seja essa a grande mensagem implícita
no discurso de Bento XVI.
“(…) Dirigiu-se Jesus ao
templo. E, enquanto ensinava, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo
aproximaram-se e perguntaram-lhe: Com que direito fazes isso? Quem te deu esta
autoridade”? (Mateus 21, 23)
Hoje celebramos uma pessoa
que humildemente agüentou a calúnia. Que foi lembrado por muitos, não só por
suas palavras, por suas ações e por sua vida como um grande Santo. Que Padre
Pio sempre olhe por nós e leve nossos pedidos e clamores a Jesus.
Um imenso abraço fraterno
Fonte: Alexandre Soledade
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